
JOSÉ SIMÃO Ueba! Tá tudo doido no SENATÓRIO! Adorei o discurso do Sarney! Dia do Fico: diga aos búfalos de Marajó e às minha netas que FICO! BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! HISTERIA SUÍNA! Oba! Minha gripe tá passando. Pros outros! Rarará! E essa: "Dor no pescoço pode tirar Schumacher de corrida". É de tanto virar pra trás pra ver se o Rubinho tá vindo! E o Collor devia aparecer todo dia na televisão. Pra substituir "Os Barracos do Theo Becker"! Eu achei fraca a atuação do Collor: queria que ele girasse o pescoço pra trás e vomitasse verde. E o olho dele parece um ovo frito! E a Lucianta Gimenez: "Eu tinha um cachorro inteligente, mas devolvi". Hahaha! Já sei, o cachorro é que mandava ela sentar! Mandava ela buscar o jornal pra ele ler! E sabe como tão chamando a lipo do Ronalducho? Toucinho-aspiração! E uma amiga minha tava tão barriguda que fez uma "lipo-desesperação"! E no Brasil cai botão, cai dentadura, cai peito, cai avião, só não cai o Sarney. Adorei o discurso do Sarney! Dia do Fico: "Diga às minhas netas, aos meus cunhados, aos primos dos meus primos, à minha avó e aos búfalos de Marajó que eu FICO". Bem, ele fica porque não consegue mais nem se mexer! Não é que ele quer ficar, ele tem de ficar. Rarará! E a amnésia galopante? Não lembrava de nenhum favorecido de ninguém. Tudo "não lembro e não conheço". Roseana? "Não conheço! Não lembro! Isso é uma injustiça". Esse senado tá um SENATÓRIO! O Senatório Federal! Rarará! Ele não lembrava nem do afilhado de casamento. Como disse o "Blog do Bonitão": ele não é marimbondo, mas tava de fogo! Enfim, achei tudo muito transPARENTE! A BIOGRAFEIA do Sarney! E o Sarney continua empregando, só que dessa vez com concurso: "Abertas inscrições para concurso de 383 vagas na prefeitura de Presidente Sarney, Maranhão". Tá vendo como também faz coisas lícitas! É mole? É mole, mas sobe! OU, como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Caiô, no Rio Grande do Norte, tem um motel chamado D&D! Mais direto impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Descendente": companheiro banguela. "Ascendente": companheiro que já comprou a dentadura. O lulês é mais fácil que o ingreis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! simao@uol.com.br
Escrito por Cassiano às 19h33
[]
[envie esta mensagem]
|

FERNANDO GABEIRA Uma flor de pessoa RIO DE JANEIRO - Durante anos morei em Brasília no edifício Burle Marx. Ver aquele nome atenuava uma certa sensação de tristeza com o Brasil. Graça a uma outra grande figura, Luis Carta, tive a oportunidade de conviver alguns dias com Burle Marx. Junto com um fotógrafo alemão, preparei uma edição da revista "Vogue" que saiu com este título do artigo. Naquela época, eram dias de convivência e de pesquisa para escrever um perfil. Foram vários almoços no sítio em Mangaratiba. O cozinheiro de Burle Marx era tão bom que abriu um restaurante na mesma área. A primeira coisa que se notava no cotidiano de Burle Marx era a sua dedicação à pintura. Só depois é que se falava sobre paisagismo. E, ao final dos almoços, ele cantava trechos de ópera com uma voz da qual também se orgulhava. Fizemos juntos uma viagem a Belo Horizonte para ver como ele planejava uma praça e, sobretudo, como acompanhava em cada detalhe a sua construção. Fisicamente, Burle Marx me lembrava um pouco Noel Nutels, que admirava na juventude. Conheci Nutels no aeroporto de Belém, viajamos juntos e nunca o esqueci. Burle Marx mostrou as flores de seu sítio, contou a história de cada uma e muitas levam seu nome. Concentramos nosso trabalho na diversidade de seu talento e esquecemos um pouco as flores. É hora de voltar ao sítio. Em Brasília, Burle Marx não é apenas o nome de um prédio, mas o arquiteto de seus jardins. Sem ele, a cidade seria dura. Sem ele, não apenas a capital mas o país seria diferente. Com voos saindo do Santos Dumont, é possível transitar do Rio para Brasília em paisagens de Burle Marx. Pena que, ao fechar os olhos, não o ouça mais cantando seus trechos de ópera, mas discursos raivosos e lamentos por um Brasil que ainda não floresceu.
Escrito por Cassiano às 19h32
[]
[envie esta mensagem]
|

FERNANDA EZABELLA - EM LOS ANGELES "Perguntinha desagradável? Não, não e não!" No reino das celebridades, cutucar o rei com vara curta não tem graça. Mesmo se for o "rei da comédia", como vem sendo chamado o diretor e produtor Judd Apatow ("O Virgem de 40 Anos"). E mesmo se for nos Estados Unidos, o país da imprensa livre. Eu estava em Los Angeles, no mês passado, quando participei da entrevista coletiva de "Funny People", filme de Apatow com Adam Sandler. Num sábado, jornalistas estrangeiros foram ver o longa. Na saguão do cinema, distribuíam o kit de imprensa, uma papelada com a história do filme, detalhes da carreira dos atores, os créditos de produção e o recibo da limusine de Apatow. Como? Sim, estava lá, por engano, a ficha da limusine que levaria o diretor, às 7h15 do dia seguinte, ao hotel onde aconteceriam as entrevistas. Preço (US$ 1.375, cerca de R$ 2.750) e endereço de sua casa estavam no recibo do carro, que percorreria 12 milhas ida e volta (20km). Um táxi daria US$ 40. No domingo, sigo para o hotel à beira-mar. Entre mesas fartas de comida e bebidas, os kits de imprensa continuam iguais. Na entrevista com diretor e elenco, peço o microfone: "Tem sido um período difícil com a crise financeira, os estúdios têm cortado empregos e orçamentos", digo a Apatow e continuo: "É uma pergunta desagradável, mas como você justifica ter uma limusine com esse preço te pegando em casa, numa distância tão curta como seis milhas, como nos mostra aqui no material de imprensa?" Apatow não entende. "O quê? Onde?" O ator Seth Rogen brinca: "Uma limo foi te buscar! Mas seis milhas é longe!" Os jornalistas riem na sala, mas não os assessores. Um deles tira o microfone da minha mão, enquanto eu tento explicar a pergunta ao diretor. Apatow ameniza: "Mas eu não ligo de responder", diz. "É que, após trabalhar 12, 14 horas por dia, é perigoso dirigir [...] por isso os estúdios querem assim [...]. Mas você pode me buscar se quiser, eu não ligo." Sem microfone, retruco: "Se você me pagar esse valor, eu também não me importo, ficaria feliz em fazê-lo. Mas é uma soma muito alta, não?" O diálogo segue atrapalhado, e dois assessores me interrompem novamente. Desisto. Outra jornalista faz a última pergunta: "Apatow, quando você se deu conta de que deu certo?" O diretor não perde a piada: "Quando consegui limusines me pegando em casa!" A mulher de Apatow, Leslie Mann, que também está no filme, tem um chilique com os assessores. "Isso não é nem um pouco legal", diz, olhando o kit. "É o endereço da nossa casa!" Tento sair à francesa, mas sou abordada por uma assessora. Ela tira o kit da minha mão, enquanto os outros assessores arrancam a página "maldita" dos demais jornalistas.
Escrito por Cassiano às 19h31
[]
[envie esta mensagem]
|

VAGUINALDO MARINHEIRO Pinóquio e os cigarros SÃO PAULO - No desenho animado "Pinóquio", lançado pelo Disney em 1940, Gepeto dá os últimos retoques no boneco de madeira e vai dormir. Antes de fechar os olhos, fuma um cachimbo e o pendura na cabeceira da cama. Em "101 Dálmatas", da mesma Disney, tanto a vilã Cruela quanto o herói Roger, dono do cachorro Pongo, fumam o tempo todo. Ela, cigarros. Ele, cachimbo. Havia alguma razão artística para as baforadas ou Walt Disney ganhava dinheiro da indústria do tabaco para transformar os pequenos em futuros fumantes? Qualquer que seja a resposta, a verdade é que cigarros e afins desapareceram dos desenhos infantis, acompanhando o processo de satanização do vício. Agora, a lei estadual que proibirá fumar em lugares públicos fechados a partir de sexta veta também o cigarro em peças de teatro. A medida provocou uma grita. Antonio Fagundes e Mika Lins disseram à Ilustrada que não cortarão os cigarros de suas montagens e desafiaram o Estado a multá-los. Argumentam que há cerceamento à liberdade artística e que cigarros, às vezes, têm função na trama. É bem provável que os atores ganhem essa batalha. Proibir o cigarro no palco é um dos aspectos estúpidos da nova legislação que devem ser alterados. É besteira achar que um cigarro fumado em cena afete a saúde dos espectadores. Já a guerra dos fumantes em geral contra a lei parece perdida. É no mínimo civilizado aceitar que os tabagistas, que por muito tempo desfrutaram da liberdade de fumar onde quisessem, respeitem agora o direito dos que querem um ar um pouco menos sujo. Muitos alegam que o Estado interfere demais na vida das pessoas e que não seria necessária mais uma lei para determinar a relação entre elas. Mas, assim como Gepeto pode, para o bem das crianças, aparecer tomando leitinho antes de dormir, os que ainda quiserem fumar podem, para o bem dos demais, ir até a calçada para fazê-lo. vmarinheiro@uol.com.br Durma bem e até amanhã
Escrito por Cassiano às 20h06
[]
[envie esta mensagem]
|

Livro reúne posts polêmicos do blog de José Saramago Textos para a internet do escritor português, que atacam Silvio Berlusconi, Bush e Sarkozy, ganham edição brasileira Editora do autor na Itália gerou controvérsia ao se recusar a publicar volume "O Caderno", a nova coletânea de textos do prêmio Nobel Carlos Alvarez - 3.mar.09/Getty Images
O escritor português José Saramago fala sobre sua obra numa entrevista coletiva em Madri MARCOS STRECKER - DA REPORTAGEM LOCAL "O Caderno" (Companhia das Letras, 224 págs., R$ 45) é, de certa forma, uma contradição em termos. Quem quiser consultar o blog do escritor José Saramago pode acessar diretamente na internet o endereço caderno.josesaramago.org. Então qual é o sentido de reunir em livro seus posts escritos entre setembro de 2008 e março de 2009? Os textos são os mesmos, a ordem cronológica permanece, não há apêndices. Mas, como Saramago é Saramago, a publicação virou um acontecimento e gerou polêmica que correu o mundo, por conta das impertinências do autor contra políticos. A crítica que detonou a crise teve como alvo o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. No texto "Berlusconi & Cia.", Saramago escreveu: "Na terra da máfia e da camorra, que importância poderá ter o facto provado de que o primeiro-ministro seja um delinquente?". Até aí, a provocação seria apenas mais uma entre tantas que se multiplicam sem consequências pela internet. Mas a Einaudi, que pertence a Berlusconi e publica Saramago na Itália, se recusou a publicar "O Caderno", que inclui esse post. Saramago reagiu, e a polêmica atraiu a imprensa, lembrando a censura branca que "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" sofreu em Portugal, episódio emblemático em sua carreira. Agora, depois de dar entrevistas indignadas e escrever artigos duros, inclusive no espanhol "El País", Saramago minimiza o episódio. Em entrevista por e-mail à Folha, disse que os dois incidentes "são casos diferentes". Segundo ele, "em Portugal, a decisão foi do governo, na Itália foi a própria editora que, por temor às consequências, resolveu não publicar. De certa maneira, a editora foi mais papista que o papa". Isso não quer dizer que tenha mudado de opinião: "Que [Berlusconi] promove a corrupção, toda a gente o sabe. Quanto a ser comparável, no seu comportamento, a um "capo" da máfia, é uma opinião pessoal minha, de que, evidentemente, se pode discordar. Mas os fatos são eloquentes e permitem as piores comparações. Os escândalos [sobre sua relação com garotas de programa] provam o pouco caso que Berlusconi faz das funções que exerce como primeiro-ministro, salvo quando estão em causa os seus interesses". Bush e Sarkozy O veto da editora italiana a "O Caderno" certamente não afetará a difusão de Saramago no país ("mais de 30 editoras da Itália se ofereceram para publicar o livro"). Berlusconi não é o único alvo. George W. Bush ("inteligência medíocre, ignorância abissal") e Nicolas Sarkozy ("irresponsável") também despertaram adjetivos no autor, assim como a esquerda ("continua sem ter uma puta ideia do mundo em que vive"). Quando Saramago lançou seu blog, muito se especulou sobre as implicações dessa produção em sua literatura. Qual a sua opinião? "A internet nem estimula nem atrapalha. São dois campos diferentes. A internet poderia desaparecer que eu continuaria com o meu trabalho, sem lhe sentir a falta." Isso não quer dizer que despreze a repercussão do blog: "Realmente surpreendeu-me. A penetração é enorme". Os textos reunidos em "O Caderno" permitem compreender as motivações de Saramago e, especialmente, sua relação próxima com o Brasil. Os textos coincidem com sua última viagem ao país, quando começou a escrever seu próximo romance, que ainda não tem título e será lançado até o final do ano.
Escrito por Cassiano às 20h05
[]
[envie esta mensagem]
|

JOSÉ SIMÃO Ueba! Rubinho não corre, AMOLA! E o recesso do SUINADO foi prorrogado devido à pandemia da nova gripe A corrupção H1$1! BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Escândalo com o Sarney é como caixa de lenço de papel: você puxa um e vem logo três! Nunca consegue puxar um só! E o chargista Cleriston revela: o recesso do SUINADO foi prorrogado devido à pandemia da gripe A corrupção H1$1! Essa é a nova gripe brasileira: H1$1! E o remédio pra suína é o Tamiflu. E o genérico é TAMUFÚ! Um cidadão desceu de um voo internacional com sintomas da suína, passou por dois hospitais públicos e um particular, e não deram um remédio pro coitado. Tamufú! Só falta o porquinho pegar dengue agora! E bastou o Massa se recuperar pra começarem as maldades. Um leitor me disse que ainda bem que a mola era do Rubinho: foi em câmera lenta! E um outro me disse que pelo menos o Rubinho deu alguns pontos pro Massa! E um outro ainda me disse que esse caso lançou uma novidade: mola perdida! Enfim, o Rubinho não corre, AMOLA! E a penúltima da minha morenanta predileta Lucianta Gimenez. Entrevistando um sobrevivente dos Andes: "Mas foi pior quando vocês pegaram uma AVELANCHA!". Entendi, eles foram atropelados por uma lancha. Em plena cordilheira dos Andes! Vinha uma lancha e eles gritavam "Ave Lancha!", "Ave Lancha!". Rarará! E sabe por que o Ronalducho esmagou a mão? Porque mão tem carga máxima de 200 quilos! Rarará! A marca da mão dele deve ter ficado gravada no gramado. Como a pegada do Godzila! A mãozada do Godzila! E o Kaká, o marido da Kakasta, disse que tava com saudades da bispa Sônia. Quem, em sã consciência, tem saudades da bispa Sônia? EU! Eu tenho saudades da bispa Sônia gritando naquela língua louca que ela inventou: "Burrundum, aktabar, ahrungam!". É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse o outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Cascavel, no Ceará, tem uma churrascaria chamada ME CHUPA! Picanha! Maminha! Chuleta! Rarará. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula! O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Avelancha": companheira que se veste de ave pra andar de lancha. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. E vai indo que eu não vou! simao@uol.com.br
Escrito por Cassiano às 20h16
[]
[envie esta mensagem]
|

ELIANE CANTANHÊDE Saturação BRASÍLIA - Lula tira o pé do acelerador na defesa de Sarney, para evitar uma trombada com a opinião pública e ficar falando sozinho. Pesquisas do Planalto detectam o óbvio: a dessintonia entre o que Lula diz e o que as pessoas acham da crise Sarney. Nada que abale a sua sólida popularidade, mas o suficiente para detonar uma dúvida: vale a pena insistir em defender o indefensável para agradar o PMDB? Pelos sinais que chegam a Lula, a família, os mais fiéis assessores e o próprio Sarney estão saturados com o tamanho e a insistência das denúncias. A maior preocupação nem é mais com o patriarca, é com o primogênito Fernando. Enquanto as acusações a Sarney partem principalmente de reportagens, as que atingem Fernando são institucionais, da Polícia Federal. Se o próprio alvo já não aguenta mais e se Renan Calheiros está praticamente sozinho na guerra de representações no Conselho de Ética, o risco de Lula é se deixar vencer pela teimosia e virar arauto de causas perdidas. Não é de seu feito. A questão ainda é a falta de um "plano B", ou seja, um sucessor para Sarney que não alimente a CPI da Petrobras nem deixe a candidatura Dilma à míngua. Curiosamente, quem providencia uma alternativa são, ora, ora, o PSDB e o PT, não para ajudar Lula, mas para tentar tirar o Senado da crise. Eles articulam uma licença de 60 dias (sem volta) para Sarney e, ainda cuidadosamente, o senador Francisco Dornelles para a vaga dele. O PMDB tem a maior bancada e o "direito" à vaga, mas não tem nomes e não cederia a vez nem para o PT, nem para o PSDB, nem para o DEM -que abandonou Sarney. Dornelles, único senador do PP, é "o mais governista dos governistas", dialoga bem com a oposição e tem um trunfo com o PMDB: foi dos raros a ficar com Renan até o fim de sua agonia. O obstáculo é o DEM, mas todos vão ter que ceder. Inclusive Lula, fazendo o que deveria ter feito desde o início: ficando calado. elianec@uol.com.br
Escrito por Cassiano às 20h15
[]
[envie esta mensagem]
|

CARLOS HEITOR CONY Dois gigantes RIO DE JANEIRO - Mestre Villa-Lobos estava em seu apartamento na Esplanada do Castelo e eu fui levar-lhe Leonide Massine, coreógrafo de "Quinta Sinfonia", "Gaïté Parisienne", "O chapéu de Três Bicos" e outros clássicos da era de ouro do balé mundial. Ele fora contratado por Murilo Miranda para temporada no Teatro Municipal do Rio, em 1955, e desejava uma partitura brasileira para montar um espetáculo que seria mais tarde incorporado ao repertório internacional. Entendidos do ramo haviam-lhe sugerido algumas produções de Francisco Mignone e Cláudio Santoro, mas Villa-Lobos era o preferido. Feitas as apresentações, mestre Villa disse que tinha exatamente o que Massine procurava. Foi ao piano e tocou um trecho, acho que de uma sinfonia em que ele estava trabalhando. Massine ouvia calado, cabeça baixa. - Gostou? Massine hesitou e acabou admitindo: não era aquilo que queria. Mestre Villa tocou uma sucessão de trechos de sua autoria, fugas, sonatas, choros, batuque, adágios e codas. Massine abanava a cabeça. Mestre Villa improvisou. Massine não gostou e improvisou retirada. Mestre Villa perdeu a paciência: - Afinal, o que quer o senhor? Massine então abriu a boca. Certa vez em Paris, ouvira mestre Villa tocar uma música muito bonita, gostaria dela, mas não lhe sabia o nome, só guardara uma frase musical. - Então cante! Massine alegou voz desafinada, não tinha jeito, mestre Villa encorajou: - Eu não reparo. Massine tomou coragem, arranhou um pigarro para limpar a garganta e cantarolou: "Lala lala lalalalala". Mestre Villa deu um pulo e fechou o piano. Massine, estupefato, olhou para mim e eu olhei para a porta. Na rua pude explicar: Massine solfejara o "nesta rua, nesta rua tem um bosque".
Escrito por Cassiano às 20h14
[]
[envie esta mensagem]
|

JOSÉ SIMÃO Ueba! Ratinho invade Honduras! Zelaya vai entrar em Honduras disfarçado de Ratinho gritando: "Aqui tem café no bule!" BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Ronalducho fratura a mão esquerda. Eu falei pra ele usar a direita. Rarará! Acho que ele tava tentando variar. Fazendo de conta que era outra pessoa! E essa: Rio inaugura o Disque Gripe! Você liga e pega uma gripe. Rarará! Disque um para gripe suína, disque dois para transmitir a gripe, disque três para falar com a Miriam Leitão e disque quatro para xingar um argentino. Aliás, diz que o Brasil perde pra Argentina até em gripe suína! Lá tem muito mais! E um leitor disse que faz uma semana que tá sem vontade de tomar banho. É sintoma de gripe suína? E sabe como se chama o Disque Gripe? Central de Atendimento da Gripe A! CAGA! É verdade, no Rio já estão chamando de CAGA! E o Sarney, hein? O Moribundo de Fogo! Agora apareceu um monte de laranja. Laranja do Sarney não deve ser laranja, é acerola. Acerola: vale por dez laranjas! E não tinha aquele adesivo: sou fiscal do Sarney? Agora é: sou laranja do Sarney! Eu quero um adesivo: sou laranja do Sarney! E o site Comentando revela como o Zelaya vai entrar em Honduras! Disfarçado de Ratinho! Ele é a cara do Ratinho! Vai entrar em Honduras gritando: "Aqui tem café no bule!". E vocês viram na "Vejinha", "violência no trânsito"? E a declaração do motoboy: "Se estiver certo, persigo o motorista, vou até o fim e já quebrei uns três retrovisores". Por isso que a Associação dos Motoqueiros se chama ABRAM! ABRAM CAMINHO! E por isso que motoboy é quem mais vai pro Salão do Automóvel. Pra ver os novos modelos de retrovisores que eles vão quebrar: "Olha, mano, aquele prateado, irado". E um motoboy de empresa delivery escreveu atrás da moto: Deusmelivery! Olha um motoboy! DEUSMELIVERY! E tem uma empresa de motoboys chamada Mensageiros do Caos! É mole? É mole, mas sobe. E como disse aquele outro: é mole, mas encosta pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Ubatuba, no litoral paulista, tem uma pousada chamada Pousada da Charuta! Onestidade e Igiene! Rarará. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Gripe suína": gripe que ataca os aliados do companheiro Suiney no Suinado! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. simao@uol.com.br
Escrito por Cassiano às 19h00
[]
[envie esta mensagem]
|

ELIANE CANTANHÊDE É ou não é? BRASÍLIA - Lula até tem razão quando pede cuidado com a biografia de investigados e relativiza os crimes: "Uma coisa é você matar, outra coisa é roubar, outra coisa é você pedir um emprego, outra coisa é relação de influências, outra coisa é o lobby", disse. Ok. Realmente, Sarney empregar o namorado da neta no Senado não é igual a roubar e matar. Mas... É justo uma família tão rica fazer favores com dinheiro público? E os outros quase 40 familiares e apadrinhados (ao que se saiba) que os Sarney empregaram por aí? É admissível uma associação dita beneficente e com o sugestivo nome de Amigos do Bom Menino das Mercês repassar recursos de patrocínio cultural para a Fundação José Sarney? Especialmente sendo ambas ligadas à família? É razoável que o primogênito, Fernando Sarney, seja simultaneamente secretário de Energia do Maranhão e dono de uma empresa fornecedora de postes de concreto para a mesma secretaria? É verdade que Sarney é sócio da neta numa empresa (que tem sede na casa dele em Brasília) para comprar terras onde há indícios de gás e petróleo? O que há de causa e efeito entre a empresa, as terras e as nomeações de Sarney para o Minas e Energia e a Eletrobras? É a serviço da oposição ou da mídia que a PF e a Receita estão fazendo essas devassas? E o que dizer do estado de calamidade pública do Maranhão depois de meio século de domínio dos Sarney e de seus paus-mandados? O promotor de Justiça Jorge Alberto de Oliveira Marum, de Sorocaba (SP), envia e-mail querendo entender a preocupação de Lula com umas biografias e não com outras: "Se o acusado é adversário do PT, podemos acusá-lo à vontade, como foi feito com Collor (1992), Ibsen Pinheiro, Eduardo Jorge, Yeda Crusius etc. Se ele for aliado do PT, como Collor (2009), Renan, Sarney e outros, não devemos tratá-los como pessoas comuns. É isso mesmo, senhor presidente?". Taí. Boa pergunta. elianec@uol.com.br
Escrito por Cassiano às 18h59
[]
[envie esta mensagem]
|

CLÓVIS ROSSI Quatro Brics, um tijolo SÃO PAULO - Parece estar ficando mais e mais claro que, dos quatro Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), aquele que os Estados Unidos tratam realmente como "brick" é a China (se tijolo pode ser tomado como sinônimo de solidez). A partir de hoje, recomeça o Diálogo Econômico Estratégico entre altos funcionários dos dois países, lançado na administração Bush, para tratar de assuntos econômicos bilaterais. Mas Obama ampliou-o para incorporar uma agenda muito mais abrangente, o que inclui mudança climática, Coreia do Norte, Afeganistão e Paquistão. O espírito G2 da coisa toda é bem explicado em artigo publicado domingo e assinado conjuntamente por Timothy Geithner e Hillary Clinton: "Poucos problemas globais podem ser resolvidos só pelos Estados Unidos e China, mas poucos podem ser resolvidos sem que Estados Unidos e China estejam juntos". Para não dizer que os Estados Unidos estão pinçando apenas a China, é justo mencionar que, em recente visita à Índia, Hillary Clinton também desenhou uma parceria estratégica bastante ampla. Esse balé diplomático interessa de perto, como é óbvio, ao B dos Brics, que vem a ser o Brasil. Obama e Lula já resolveram reativar reuniões setoriais entre ministros dos dois países, mas a pressa norte-americana parece voltada para a Ásia, o que é compreensível: na América Latina, os problemas estratégicos são menores (Honduras) ou inexistentes, ao contrário do que ocorre com, por exemplo, Paquistão, Coreia do Norte e Afeganistão. Mas a questão da mudança climática é global, e China e Brasil (além de Índia) opuseram-se ao projeto do mundo rico de fixar metas para a redução da emissão de gases. É preciso ver se a China consulta seus parceiros dos Brics nessa questão ou prefere o diálogo direto -enfim o G2 de que tanto se fala. crossi@uol.com.br
Escrito por Cassiano às 18h58
[]
[envie esta mensagem]
|

JOSÉ SIMÃO Ueba! Lula lança Bolsa da Dilma! Se o Lula gosta tanto do Sarney, por que não troca Bolsa Família por Bolsa da Família do Sarney!? BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Tá todo mundo louco. OBA! Festival de Piadas Prontas! Lançada Campanha Nacional de Combate ao Câncer de Pênis. Coordenada pelo doutor SÁLVIO PINTO! Do verbo salvar! Eu sálvio, tu sálvias e o doutor Sálvio Pinto! Do Brasil! E esta: "Mortalidade de jovens no Brasil é causada em sua maioria por armas de fogo", anuncia pesquisador Ignácio CANO! Rarará! E esta: "Mulher pega gripe no Peru!". Então é traveca! Mulher com gripe no Peru só pode ser traveca. Isso é lugar de pegar gripe? E uma amiga minha vai lançar uma coleção de máscaras chamada GRIFE SUÍNA! E viva perigosamente! Beije um argentino. Rarará. E sabe como gaúcho espirra? ATCHÊ! Espirro de macho! E eu tenho saudades da gripe aviária. A gente sabia como pegava e como tratava. Pegava galinhando, e tratava tomando Cocoristina. E agora saiu a gripe Suiney. Que atacou o SUINADO! O SUINADO FEDERAL! E o Sarney, hein? O Moribundo de Fogo! Todo mundo só quer falar do Sarney. Ele saiu de férias, mas os humoristas, não! E saiu uma nova dupla sertaneja: Sarney e Secreto. E agora tem até funk. O site Éramos Seis lançou o "Funk do Bigodão"! Com o MC Sarney: "Ado, ado, ado, tô empregado no Senado". E a Lacraia cantando atrás: "Ada, ada, ada, vou jogar o bigode na privada". Rarará. Ô, esculhambação! O Sarney quer a escritura do Maranhão! Aliás, essa crise no Senado só tem uma solução: privatizar a família Sarney! Rarará! E se o Lula gosta tanto do Sarney, por que ele não troca o Bolsa Família pela Bolsa da Família do Sarney!? Aliás, quem gosta de bolsa é a Dilma, viu. Cada hora ela tá com uma bolsona nova e de grife. Vamos lançar o Bolsa da Dilma! E eu vi o vídeo da bispa Sônia pregando com a mulher do Kaká. Agora é o Kaká e a Kakasta! E eu achei o botox da bispa Sônia muito derrubado. Deve ser de segunda mão! botox reciclado. Acho que ela tá usando o botox que foi da Ana Maria Braga. Rarará. E sabe o que elas falaram? Que vão pisar na cabeça do diabo. Medo! Do diabo e delas. Rarará! E eu sempre digo que eu também quero renascer. Mais rico que elas. É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse o outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! E atenção! Cartilha do Lula! O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. Hoje não tem. O Lula tá em férias escolares. Há 60 anos. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. E vai indo que eu não vou! simao@uol.com.br
Escrito por Cassiano às 10h07
[]
[envie esta mensagem]
|

FERREIRA GULLAR Errar é comigo mesmo Errar faz parte da descoberta e do acerto, se não for de propósito ou por negligência NINGUÉM PODE dizer que eu não avisei. Na primeira crônica, aqui publicada no dia 2 de janeiro de 2005, afirmei, em alto e bom som, que esqueço tudo o que leio e tendo a inventar de minha cabeça o que os romances não contam e os ensaios não dizem. Que crédito pode merecer um sujeito tão desligado que chega a mijar na lata de lixo pensando que é o vaso sanitário? ra inevitável acontecer o que tem acontecido: cartas e cartas de leitores apontando os erros que cometo, informações erradas, dados equivocados. São tantos que já nem consigo lembrar, e não os lembraria ainda que fossem poucos, porque lembrar não é o meu forte. Mas isso não é desculpa, a internet está aí mesmo para oferecer as informações que nos faltam. É verdade que também esses dados nem sempre são exatos, porque deve ter sido lá que colhi a informação de que a estrela mais próxima da Terra (fora o Sol) estaria a 25 anos-luz, quando está a apenas 4 anos-luz e pouco. E tem sempre aquele leitor chatinho que aproveita para nos dar um puxão de orelha. A minha, aliás, já está ardendo. Diga-se a meu favor que, neste caso, as distâncias são tão grandes que tanto faz 25 como 4, uma vez que, de qualquer jeito, não chegaríamos a ela, porque, se meus cálculos estão corretos (estarão?), uma nave que voe a 9.000 quilômetros por hora levaria 4.000 anos para cobrir aquela distância; e, se voe a 90 mil, levaria quatro séculos. Ou seja, uma aventura inviável. Mas, além dos erros cósmicos, cometo erros terrestres, terra a terra mesmo, como na crônica sobre o Bolsa Família, em que falei de casais que passaram a dobrar a filharada para aumentar a renda familiar. É certo que há na lei exigências que limitam certas espertezas, mas seria ingênuo crer que não são burladas. Modéstia à parte, eu também às vezes escrevo certo por linhas tortas e, neste caso, o que menos importa são as exigências legais, dificilmente obedecidas, num programa social que envolve 40 milhões de pessoas. Se no Congresso, que, pelo que sei, não foi criado para dar dinheiro a famílias carentes, os recursos públicos são distribuídos à tripa forra, imagine você o que não ocorre no Bolsa Família, que já foi criado para dar grana a quem não trabalha! Esse, porém, é apenas um dos aspectos da questão: o que importa é entender que programas dessa natureza só podem ser mantidos em caráter emergencial, para atender a situações críticas, já que a verdadeira solução é inserir o cidadão no mercado de trabalho. Não se pode transformar tais programas em assistencialismo permanente, com propósitos eleitoreiros e demagógicos. Foi isso que, com dados tortos, procurei demonstrar, donde a conclusão de que o Brasil precisa urgentemente de um estadista; isto é, de alguém que ponha o interesse público acima das ambições pessoais. Como dizia no começo desta crônica, errar é comigo mesmo. Sucede, no entanto, que, para mim, errar faz parte da descoberta e do acerto, desde que não se erre de propósito ou por negligência. Às vezes, partimos de premissas corretas e, no caminho, nos extraviamos. Já contei, faz muitos anos, o caso de uma estante que mandei fazer, ao me mudar para um apartamento novo, na Visconde de Pirajá, em Ipanema. Pela primeira vez ia ter um escritório, onde escrever em silêncio, à sombra da estante, que faltava. Por isso a encomendei a um marceneiro português, seu Joaquim, que tinha oficina na Barão da Torre. Tudo acertado, ele me pediu o endereço de onde entregar a estante, que ficaria pronta em dez dias. Só então me dei conta de que não o sabia, mas raciocinei: se o número do edifício onde mora Mário Pedrosa, que fica em frente, é número 228, o meu deve ser 227. "Meu endereço é Visconde de Pirajá, 227, apartamento 302", disse eu, e seu Joaquim o anotou. Dez dias depois, ao voltar do jornal, constatei que a estante não tinha chegado e, àquela hora, oito da noite, a marcenaria já estava fechada. Na manhã seguinte, cedo fui tomar satisfações com seu Joaquim, que, ao me ver, foi logo falando: "Que diabo de endereço o senhor me deu, que os homens andaram com estante pra cima e pra baixo, sem achar o tal número?". Tinha errado na dedução. Se não era 227, que número seria? "Qual é afinal esse maldito número?". Hesitei, mas respondi: "Desculpe, me enganei, é 217". O número certo era 127. Tive que voltar à marcenaria para, às gargalhadas, fazer a correção. Seu Joaquim, porém, não achou a menor graça nas minhas trapalhadas.
Escrito por Cassiano às 10h07
[]
[envie esta mensagem]
|

DANUZA LEÃO A distância ajuda Nunca entre em nenhum bastidor de nada, para poder continuar acreditando no que vê COMO são bonitas as coisas vistas à distancia, e como perdem o encanto quando vistas de perto. Você já entrou num restaurante de luxo às 8h da manhã? Aquele lugar onde você vai toda linda tomar seu drinque, comer bem e até fazer um certo charme, de manhã é outro mundo, com cadeiras amontoadas em cima das mesas, a cozinha numa total desordem, às vezes até suja, e os empregados - a turma da manhã não faz rapapés, como os outros- esfregando o chão, passando álcool nos copos, e as latas de lixo cheias de flores murchas; uma deprê, eu diria. Isso não acontece só com lugares, mas também com pessoas. Você acha lindo aquele intelectual charmoso, de camisa jeans, mocassim sem meias e olheiras imensas de tanto pensar nos mistérios da vida e na essência do ser humano. Só que as razões de seu olhar tão denso podem ser outras: ele pode estar pensando no cheque especial estourado, no carro que está precisando ser trocado e na conta do cartão de crédito que deve vir altíssima, pois sempre pagou sem nem olhar, faz parte do personagem. E você, que imaginou razões mais românticas para tanta profundidade, quebrou a cara. E depois de ter sido tanto tempo apaixonada por Sinatra, e ainda ser -o que é a morte, diante do amor?-, ler numa revista que ele usava uma peruquinha, é uma tristeza. Você sabia, como todo mundo, desse aplique, chamemos assim, mas não queria saber, porque quem ama não quer saber de nada, a não ser se for obrigada. E como seria Sinatra em casa? Passaria os dias cantarolando "My Way" e "Strangers in the Night", como você, em seus delírios, imaginava, ou era alguém meio ranzinza (me recuso a chamá-lo de velho), que reclamava da comida e passava os dias de pijama e robe, a léguas de distância do cantor de olhos azuis que fez seu coração bater tanto? Se morasse com ele, não haveria lugar para a ilusão, e sem ela a vida fica bem sem graça. Quem já entrou em um estúdio de TV ou de cinema e assistiu a uma gravação ou filmagem se horrorizou ao ver o que acontece por trás das câmeras, e talvez nunca mais assista a uma novela ou, pior ainda, a um filme. É aquele mundo de gente correndo, falando alto, o diretor tentando botar ordem na bagunça, e os cenários -ah, os cenários!- feitos de compensado e papelão, as flores de plástico, as atrizes com o roteiro na mão lendo alto suas falas, tudo de mentira, mentira na qual você e a humanidade sempre acreditaram. Nunca entre em nenhum bastidor de nada, para poder continuar acreditando no que vê. E aquele escritor que você adora? Você, que nunca perdeu seus lançamentos, ficou na fila para pegar um autógrafo, e não perde um só dos artigos que ele às vezes escreve nos jornais, ficaria decepcionada se o visse diante do computador, dizendo "ah, estou sem assunto", ou "estão faltando 20 linhas e não sei como vou terminar". Seria uma decepção. Ou nos atiramos de cabeça para o que der e vier, e é assim que, dizem, se deve viver, ou guardamos uma certa distância das coisas e, sobretudo das pessoas, para poder continuar preservando alguma ilusão diante da vida, Mas será por aí? E será que vale a pena? danuza.leao@uol.com.br
Escrito por Cassiano às 10h06
[]
[envie esta mensagem]
|

ELIANE CANTANHÊDE Fim da convergência BRASÍLIA - O golpe militar em Honduras mobilizou a comunidade internacional de "a" a "z" no apoio ao presidente eleito Manuel Zelaya e na condenação ao regime golpista de Roberto Michelletti. A volta de Zelaya ao país e mesmo ao poder, porém, não resolve a crise interna. Muito pelo contrário. Dos EUA à Venezuela, passando pelo Brasil, os países integrantes da OEA (Organização dos Estados Americanos) se bateram firmemente por um princípio: o do respeito às normas democráticas e aos presidentes constitucionalmente eleitos. O apoio, porém, para aí. Apoiar um princípio não é apoiar uma pessoa, nem um governo. Por isso, toda a convergência que Zelaya conseguiu com o golpe tende a virar divergência no pós-golpe, mesmo com a volta dele ao poder. Por quê? Porque o impulso de Zelaya será pela radicalização e pelo aprofundamento do "bolivarianismo" em Honduras, com revisão constitucional, plebiscito para se eternizar no poder, nacionalização de setores da pobre economia. Assim, tenderá a ir mais e mais na direção de Venezuela, Cuba, Bolívia e Nicarágua, sob a órbita da Alba (a alternativa chavista à natimorta Alca). E menos e menos na do velho parceiro e até tutor, os EUA. Além disso, o olhar que hoje é exclusivamente externo, contra um golpe estapafúrdio, irá se voltar para a situação interna, para a acomodação de forças e de interesses no país. Creia você: a comunidade internacional toda apoiou Zelaya, mas ele sofre enormes resistências de setores hondurenhos que têm força política, como a Suprema Corte, a Igreja Católica, a mídia e a parte mais pesada do empresariado. Convenhamos, não é pouco. O primeiro passo da crise é recompor o poder constituído, com a volta de Zelaya ao poder. O segundo é recompor os financiamentos e parcerias internacionais que hoje boicotam o país dos golpistas. Mas isso não resolve a crise. Os opositores internos não vão morrer. E os externos vão ressuscitar. elianec@uol.com.br
Escrito por Cassiano às 10h05
[]
[envie esta mensagem]
|
[ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
|