
JOSÉ SIMÃO Ueba! Tá tudo doido no SENATÓRIO! Adorei o discurso do Sarney! Dia do Fico: diga aos búfalos de Marajó e às minha netas que FICO! BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! HISTERIA SUÍNA! Oba! Minha gripe tá passando. Pros outros! Rarará! E essa: "Dor no pescoço pode tirar Schumacher de corrida". É de tanto virar pra trás pra ver se o Rubinho tá vindo! E o Collor devia aparecer todo dia na televisão. Pra substituir "Os Barracos do Theo Becker"! Eu achei fraca a atuação do Collor: queria que ele girasse o pescoço pra trás e vomitasse verde. E o olho dele parece um ovo frito! E a Lucianta Gimenez: "Eu tinha um cachorro inteligente, mas devolvi". Hahaha! Já sei, o cachorro é que mandava ela sentar! Mandava ela buscar o jornal pra ele ler! E sabe como tão chamando a lipo do Ronalducho? Toucinho-aspiração! E uma amiga minha tava tão barriguda que fez uma "lipo-desesperação"! E no Brasil cai botão, cai dentadura, cai peito, cai avião, só não cai o Sarney. Adorei o discurso do Sarney! Dia do Fico: "Diga às minhas netas, aos meus cunhados, aos primos dos meus primos, à minha avó e aos búfalos de Marajó que eu FICO". Bem, ele fica porque não consegue mais nem se mexer! Não é que ele quer ficar, ele tem de ficar. Rarará! E a amnésia galopante? Não lembrava de nenhum favorecido de ninguém. Tudo "não lembro e não conheço". Roseana? "Não conheço! Não lembro! Isso é uma injustiça". Esse senado tá um SENATÓRIO! O Senatório Federal! Rarará! Ele não lembrava nem do afilhado de casamento. Como disse o "Blog do Bonitão": ele não é marimbondo, mas tava de fogo! Enfim, achei tudo muito transPARENTE! A BIOGRAFEIA do Sarney! E o Sarney continua empregando, só que dessa vez com concurso: "Abertas inscrições para concurso de 383 vagas na prefeitura de Presidente Sarney, Maranhão". Tá vendo como também faz coisas lícitas! É mole? É mole, mas sobe! OU, como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Caiô, no Rio Grande do Norte, tem um motel chamado D&D! Mais direto impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Descendente": companheiro banguela. "Ascendente": companheiro que já comprou a dentadura. O lulês é mais fácil que o ingreis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! simao@uol.com.br
Escrito por Cassiano às 19h33
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FERNANDO GABEIRA Uma flor de pessoa RIO DE JANEIRO - Durante anos morei em Brasília no edifício Burle Marx. Ver aquele nome atenuava uma certa sensação de tristeza com o Brasil. Graça a uma outra grande figura, Luis Carta, tive a oportunidade de conviver alguns dias com Burle Marx. Junto com um fotógrafo alemão, preparei uma edição da revista "Vogue" que saiu com este título do artigo. Naquela época, eram dias de convivência e de pesquisa para escrever um perfil. Foram vários almoços no sítio em Mangaratiba. O cozinheiro de Burle Marx era tão bom que abriu um restaurante na mesma área. A primeira coisa que se notava no cotidiano de Burle Marx era a sua dedicação à pintura. Só depois é que se falava sobre paisagismo. E, ao final dos almoços, ele cantava trechos de ópera com uma voz da qual também se orgulhava. Fizemos juntos uma viagem a Belo Horizonte para ver como ele planejava uma praça e, sobretudo, como acompanhava em cada detalhe a sua construção. Fisicamente, Burle Marx me lembrava um pouco Noel Nutels, que admirava na juventude. Conheci Nutels no aeroporto de Belém, viajamos juntos e nunca o esqueci. Burle Marx mostrou as flores de seu sítio, contou a história de cada uma e muitas levam seu nome. Concentramos nosso trabalho na diversidade de seu talento e esquecemos um pouco as flores. É hora de voltar ao sítio. Em Brasília, Burle Marx não é apenas o nome de um prédio, mas o arquiteto de seus jardins. Sem ele, a cidade seria dura. Sem ele, não apenas a capital mas o país seria diferente. Com voos saindo do Santos Dumont, é possível transitar do Rio para Brasília em paisagens de Burle Marx. Pena que, ao fechar os olhos, não o ouça mais cantando seus trechos de ópera, mas discursos raivosos e lamentos por um Brasil que ainda não floresceu.
Escrito por Cassiano às 19h32
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FERNANDA EZABELLA - EM LOS ANGELES "Perguntinha desagradável? Não, não e não!" No reino das celebridades, cutucar o rei com vara curta não tem graça. Mesmo se for o "rei da comédia", como vem sendo chamado o diretor e produtor Judd Apatow ("O Virgem de 40 Anos"). E mesmo se for nos Estados Unidos, o país da imprensa livre. Eu estava em Los Angeles, no mês passado, quando participei da entrevista coletiva de "Funny People", filme de Apatow com Adam Sandler. Num sábado, jornalistas estrangeiros foram ver o longa. Na saguão do cinema, distribuíam o kit de imprensa, uma papelada com a história do filme, detalhes da carreira dos atores, os créditos de produção e o recibo da limusine de Apatow. Como? Sim, estava lá, por engano, a ficha da limusine que levaria o diretor, às 7h15 do dia seguinte, ao hotel onde aconteceriam as entrevistas. Preço (US$ 1.375, cerca de R$ 2.750) e endereço de sua casa estavam no recibo do carro, que percorreria 12 milhas ida e volta (20km). Um táxi daria US$ 40. No domingo, sigo para o hotel à beira-mar. Entre mesas fartas de comida e bebidas, os kits de imprensa continuam iguais. Na entrevista com diretor e elenco, peço o microfone: "Tem sido um período difícil com a crise financeira, os estúdios têm cortado empregos e orçamentos", digo a Apatow e continuo: "É uma pergunta desagradável, mas como você justifica ter uma limusine com esse preço te pegando em casa, numa distância tão curta como seis milhas, como nos mostra aqui no material de imprensa?" Apatow não entende. "O quê? Onde?" O ator Seth Rogen brinca: "Uma limo foi te buscar! Mas seis milhas é longe!" Os jornalistas riem na sala, mas não os assessores. Um deles tira o microfone da minha mão, enquanto eu tento explicar a pergunta ao diretor. Apatow ameniza: "Mas eu não ligo de responder", diz. "É que, após trabalhar 12, 14 horas por dia, é perigoso dirigir [...] por isso os estúdios querem assim [...]. Mas você pode me buscar se quiser, eu não ligo." Sem microfone, retruco: "Se você me pagar esse valor, eu também não me importo, ficaria feliz em fazê-lo. Mas é uma soma muito alta, não?" O diálogo segue atrapalhado, e dois assessores me interrompem novamente. Desisto. Outra jornalista faz a última pergunta: "Apatow, quando você se deu conta de que deu certo?" O diretor não perde a piada: "Quando consegui limusines me pegando em casa!" A mulher de Apatow, Leslie Mann, que também está no filme, tem um chilique com os assessores. "Isso não é nem um pouco legal", diz, olhando o kit. "É o endereço da nossa casa!" Tento sair à francesa, mas sou abordada por uma assessora. Ela tira o kit da minha mão, enquanto os outros assessores arrancam a página "maldita" dos demais jornalistas.
Escrito por Cassiano às 19h31
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VAGUINALDO MARINHEIRO Pinóquio e os cigarros SÃO PAULO - No desenho animado "Pinóquio", lançado pelo Disney em 1940, Gepeto dá os últimos retoques no boneco de madeira e vai dormir. Antes de fechar os olhos, fuma um cachimbo e o pendura na cabeceira da cama. Em "101 Dálmatas", da mesma Disney, tanto a vilã Cruela quanto o herói Roger, dono do cachorro Pongo, fumam o tempo todo. Ela, cigarros. Ele, cachimbo. Havia alguma razão artística para as baforadas ou Walt Disney ganhava dinheiro da indústria do tabaco para transformar os pequenos em futuros fumantes? Qualquer que seja a resposta, a verdade é que cigarros e afins desapareceram dos desenhos infantis, acompanhando o processo de satanização do vício. Agora, a lei estadual que proibirá fumar em lugares públicos fechados a partir de sexta veta também o cigarro em peças de teatro. A medida provocou uma grita. Antonio Fagundes e Mika Lins disseram à Ilustrada que não cortarão os cigarros de suas montagens e desafiaram o Estado a multá-los. Argumentam que há cerceamento à liberdade artística e que cigarros, às vezes, têm função na trama. É bem provável que os atores ganhem essa batalha. Proibir o cigarro no palco é um dos aspectos estúpidos da nova legislação que devem ser alterados. É besteira achar que um cigarro fumado em cena afete a saúde dos espectadores. Já a guerra dos fumantes em geral contra a lei parece perdida. É no mínimo civilizado aceitar que os tabagistas, que por muito tempo desfrutaram da liberdade de fumar onde quisessem, respeitem agora o direito dos que querem um ar um pouco menos sujo. Muitos alegam que o Estado interfere demais na vida das pessoas e que não seria necessária mais uma lei para determinar a relação entre elas. Mas, assim como Gepeto pode, para o bem das crianças, aparecer tomando leitinho antes de dormir, os que ainda quiserem fumar podem, para o bem dos demais, ir até a calçada para fazê-lo. vmarinheiro@uol.com.br Durma bem e até amanhã
Escrito por Cassiano às 20h06
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Livro reúne posts polêmicos do blog de José Saramago Textos para a internet do escritor português, que atacam Silvio Berlusconi, Bush e Sarkozy, ganham edição brasileira Editora do autor na Itália gerou controvérsia ao se recusar a publicar volume "O Caderno", a nova coletânea de textos do prêmio Nobel Carlos Alvarez - 3.mar.09/Getty Images
O escritor português José Saramago fala sobre sua obra numa entrevista coletiva em Madri MARCOS STRECKER - DA REPORTAGEM LOCAL "O Caderno" (Companhia das Letras, 224 págs., R$ 45) é, de certa forma, uma contradição em termos. Quem quiser consultar o blog do escritor José Saramago pode acessar diretamente na internet o endereço caderno.josesaramago.org. Então qual é o sentido de reunir em livro seus posts escritos entre setembro de 2008 e março de 2009? Os textos são os mesmos, a ordem cronológica permanece, não há apêndices. Mas, como Saramago é Saramago, a publicação virou um acontecimento e gerou polêmica que correu o mundo, por conta das impertinências do autor contra políticos. A crítica que detonou a crise teve como alvo o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. No texto "Berlusconi & Cia.", Saramago escreveu: "Na terra da máfia e da camorra, que importância poderá ter o facto provado de que o primeiro-ministro seja um delinquente?". Até aí, a provocação seria apenas mais uma entre tantas que se multiplicam sem consequências pela internet. Mas a Einaudi, que pertence a Berlusconi e publica Saramago na Itália, se recusou a publicar "O Caderno", que inclui esse post. Saramago reagiu, e a polêmica atraiu a imprensa, lembrando a censura branca que "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" sofreu em Portugal, episódio emblemático em sua carreira. Agora, depois de dar entrevistas indignadas e escrever artigos duros, inclusive no espanhol "El País", Saramago minimiza o episódio. Em entrevista por e-mail à Folha, disse que os dois incidentes "são casos diferentes". Segundo ele, "em Portugal, a decisão foi do governo, na Itália foi a própria editora que, por temor às consequências, resolveu não publicar. De certa maneira, a editora foi mais papista que o papa". Isso não quer dizer que tenha mudado de opinião: "Que [Berlusconi] promove a corrupção, toda a gente o sabe. Quanto a ser comparável, no seu comportamento, a um "capo" da máfia, é uma opinião pessoal minha, de que, evidentemente, se pode discordar. Mas os fatos são eloquentes e permitem as piores comparações. Os escândalos [sobre sua relação com garotas de programa] provam o pouco caso que Berlusconi faz das funções que exerce como primeiro-ministro, salvo quando estão em causa os seus interesses". Bush e Sarkozy O veto da editora italiana a "O Caderno" certamente não afetará a difusão de Saramago no país ("mais de 30 editoras da Itália se ofereceram para publicar o livro"). Berlusconi não é o único alvo. George W. Bush ("inteligência medíocre, ignorância abissal") e Nicolas Sarkozy ("irresponsável") também despertaram adjetivos no autor, assim como a esquerda ("continua sem ter uma puta ideia do mundo em que vive"). Quando Saramago lançou seu blog, muito se especulou sobre as implicações dessa produção em sua literatura. Qual a sua opinião? "A internet nem estimula nem atrapalha. São dois campos diferentes. A internet poderia desaparecer que eu continuaria com o meu trabalho, sem lhe sentir a falta." Isso não quer dizer que despreze a repercussão do blog: "Realmente surpreendeu-me. A penetração é enorme". Os textos reunidos em "O Caderno" permitem compreender as motivações de Saramago e, especialmente, sua relação próxima com o Brasil. Os textos coincidem com sua última viagem ao país, quando começou a escrever seu próximo romance, que ainda não tem título e será lançado até o final do ano.
Escrito por Cassiano às 20h05
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