JOSÉ SIMÃO

 

Ueba! Rubinho não corre, AMOLA!

 

E o recesso do SUINADO foi prorrogado devido à pandemia da nova gripe A corrupção H1$1!

 

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!

 

Escândalo com o Sarney é como caixa de lenço de papel: você puxa um e vem logo três! Nunca consegue puxar um só! E o chargista Cleriston revela: o recesso do SUINADO foi prorrogado devido à pandemia da gripe A corrupção H1$1! Essa é a nova gripe brasileira: H1$1!

 

E o remédio pra suína é o Tamiflu. E o genérico é TAMUFÚ!

 

Um cidadão desceu de um voo internacional com sintomas da suína, passou por dois hospitais públicos e um particular, e não deram um remédio pro coitado. Tamufú! Só falta o porquinho pegar dengue agora!

 

E bastou o Massa se recuperar pra começarem as maldades. Um leitor me disse que ainda bem que a mola era do Rubinho: foi em câmera lenta! E um outro me disse que pelo menos o Rubinho deu alguns pontos pro Massa! E um outro ainda me disse que esse caso lançou uma novidade: mola perdida! Enfim, o Rubinho não corre, AMOLA!

 

E a penúltima da minha morenanta predileta Lucianta Gimenez. Entrevistando um sobrevivente dos Andes: "Mas foi pior quando vocês pegaram uma AVELANCHA!". Entendi, eles foram atropelados por uma lancha. Em plena cordilheira dos Andes! Vinha uma lancha e eles gritavam "Ave Lancha!", "Ave Lancha!". Rarará!

 

E sabe por que o Ronalducho esmagou a mão? Porque mão tem carga máxima de 200 quilos! Rarará! A marca da mão dele deve ter ficado gravada no gramado. Como a pegada do Godzila! A mãozada do Godzila! E o Kaká, o marido da Kakasta, disse que tava com saudades da bispa Sônia.

 

Quem, em sã consciência, tem saudades da bispa Sônia? EU! Eu tenho saudades da bispa Sônia gritando naquela língua louca que ela inventou: "Burrundum, aktabar, ahrungam!". É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse o outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!

 

Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Cascavel, no Ceará, tem uma churrascaria chamada ME CHUPA! Picanha! Maminha! Chuleta! Rarará. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

 

E atenção! Cartilha do Lula! O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Avelancha": companheira que se veste de ave pra andar de lancha. Rarará.

 

O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

E vai indo que eu não vou!

 

simao@uol.com.br



Escrito por Cassiano às 20h16
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ELIANE CANTANHÊDE

 

Saturação

 

BRASÍLIA - Lula tira o pé do acelerador na defesa de Sarney, para evitar uma trombada com a opinião pública e ficar falando sozinho.

 

Pesquisas do Planalto detectam o óbvio: a dessintonia entre o que Lula diz e o que as pessoas acham da crise Sarney. Nada que abale a sua sólida popularidade, mas o suficiente para detonar uma dúvida: vale a pena insistir em defender o indefensável para agradar o PMDB?

 

Pelos sinais que chegam a Lula, a família, os mais fiéis assessores e o próprio Sarney estão saturados com o tamanho e a insistência das denúncias.

 

A maior preocupação nem é mais com o patriarca, é com o primogênito Fernando. Enquanto as acusações a Sarney partem principalmente de reportagens, as que atingem Fernando são institucionais, da Polícia Federal.

 

Se o próprio alvo já não aguenta mais e se Renan Calheiros está praticamente sozinho na guerra de representações no Conselho de Ética, o risco de Lula é se deixar vencer pela teimosia e virar arauto de causas perdidas. Não é de seu feito.

 

A questão ainda é a falta de um "plano B", ou seja, um sucessor para Sarney que não alimente a CPI da Petrobras nem deixe a candidatura Dilma à míngua.

 

Curiosamente, quem providencia uma alternativa são, ora, ora, o PSDB e o PT, não para ajudar Lula, mas para tentar tirar o Senado da crise. Eles articulam uma licença de 60 dias (sem volta) para Sarney e, ainda cuidadosamente, o senador Francisco Dornelles para a vaga dele.

 

O PMDB tem a maior bancada e o "direito" à vaga, mas não tem nomes e não cederia a vez nem para o PT, nem para o PSDB, nem para o DEM -que abandonou Sarney. Dornelles, único senador do PP, é "o mais governista dos governistas", dialoga bem com a oposição e tem um trunfo com o PMDB: foi dos raros a ficar com Renan até o fim de sua agonia.

 

O obstáculo é o DEM, mas todos vão ter que ceder. Inclusive Lula, fazendo o que deveria ter feito desde o início: ficando calado.

 

elianec@uol.com.br

 



Escrito por Cassiano às 20h15
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CARLOS HEITOR CONY

 

Dois gigantes

 

RIO DE JANEIRO - Mestre Villa-Lobos estava em seu apartamento na Esplanada do Castelo e eu fui levar-lhe Leonide Massine, coreógrafo de "Quinta Sinfonia", "Gaïté Parisienne", "O chapéu de Três Bicos" e outros clássicos da era de ouro do balé mundial.

 

Ele fora contratado por Murilo Miranda para temporada no Teatro Municipal do Rio, em 1955, e desejava uma partitura brasileira para montar um espetáculo que seria mais tarde incorporado ao repertório internacional.

 

Entendidos do ramo haviam-lhe sugerido algumas produções de Francisco Mignone e Cláudio Santoro, mas Villa-Lobos era o preferido.

 

Feitas as apresentações, mestre Villa disse que tinha exatamente o que Massine procurava. Foi ao piano e tocou um trecho, acho que de uma sinfonia em que ele estava trabalhando. Massine ouvia calado, cabeça baixa. - Gostou?

 

Massine hesitou e acabou admitindo: não era aquilo que queria. Mestre Villa tocou uma sucessão de trechos de sua autoria, fugas, sonatas, choros, batuque, adágios e codas. Massine abanava a cabeça. Mestre Villa improvisou. Massine não gostou e improvisou retirada. Mestre Villa perdeu a paciência:

- Afinal, o que quer o senhor?

 

 

Massine então abriu a boca. Certa vez em Paris, ouvira mestre Villa tocar uma música muito bonita, gostaria dela, mas não lhe sabia o nome, só guardara uma frase musical. - Então cante!

 

Massine alegou voz desafinada, não tinha jeito, mestre Villa encorajou: - Eu não reparo.

 

Massine tomou coragem, arranhou um pigarro para limpar a garganta e cantarolou: "Lala lala lalalalala". Mestre Villa deu um pulo e fechou o piano.

 

Massine, estupefato, olhou para mim e eu olhei para a porta. Na rua pude explicar: Massine solfejara o "nesta rua, nesta rua tem um bosque".

 



Escrito por Cassiano às 20h14
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JOSÉ SIMÃO

 

Ueba! Ratinho invade Honduras!

 

Zelaya vai entrar em Honduras disfarçado de Ratinho gritando: "Aqui tem café no bule!"

 

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!

 

Ronalducho fratura a mão esquerda. Eu falei pra ele usar a direita. Rarará! Acho que ele tava tentando variar. Fazendo de conta que era outra pessoa! E essa: Rio inaugura o Disque Gripe!

 

Você liga e pega uma gripe. Rarará! Disque um para gripe suína, disque dois para transmitir a gripe, disque três para falar com a Miriam Leitão e disque quatro para xingar um argentino. Aliás, diz que o Brasil perde pra Argentina até em gripe suína! Lá tem muito mais!

 

E um leitor disse que faz uma semana que tá sem vontade de tomar banho. É sintoma de gripe suína? E sabe como se chama o Disque Gripe? Central de Atendimento da Gripe A! CAGA! É verdade, no Rio já estão chamando de CAGA!

 

E o Sarney, hein? O Moribundo de Fogo! Agora apareceu um monte de laranja. Laranja do Sarney não deve ser laranja, é acerola. Acerola: vale por dez laranjas! E não tinha aquele adesivo: sou fiscal do Sarney? Agora é: sou laranja do Sarney!

 

Eu quero um adesivo: sou laranja do Sarney! E o site Comentando revela como o Zelaya vai entrar em Honduras! Disfarçado de Ratinho! Ele é a cara do Ratinho! Vai entrar em Honduras gritando: "Aqui tem café no bule!".

 

E vocês viram na "Vejinha", "violência no trânsito"? E a declaração do motoboy: "Se estiver certo, persigo o motorista, vou até o fim e já quebrei uns três retrovisores". Por isso que a Associação dos Motoqueiros se chama ABRAM! ABRAM CAMINHO! E por isso que motoboy é quem mais vai pro Salão do Automóvel.

 

Pra ver os novos modelos de retrovisores que eles vão quebrar: "Olha, mano, aquele prateado, irado". E um motoboy de empresa delivery escreveu atrás da moto: Deusmelivery! Olha um motoboy! DEUSMELIVERY!

 

E tem uma empresa de motoboys chamada Mensageiros do Caos! É mole? É mole, mas sobe. E como disse aquele outro: é mole, mas encosta pra ver o que acontece!

Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês.

 

Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Ubatuba, no litoral paulista, tem uma pousada chamada Pousada da Charuta! Onestidade e Igiene! Rarará. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

 

E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Gripe suína": gripe que ataca os aliados do companheiro Suiney no Suinado! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

 

simao@uol.com.br



Escrito por Cassiano às 19h00
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ELIANE CANTANHÊDE

 

É ou não é?

 

BRASÍLIA - Lula até tem razão quando pede cuidado com a biografia de investigados e relativiza os crimes: "Uma coisa é você matar, outra coisa é roubar, outra coisa é você pedir um emprego, outra coisa é relação de influências, outra coisa é o lobby", disse.

 

Ok. Realmente, Sarney empregar o namorado da neta no Senado não é igual a roubar e matar. Mas...

 

É justo uma família tão rica fazer favores com dinheiro público? E os outros quase 40 familiares e apadrinhados (ao que se saiba) que os Sarney empregaram por aí?

 

É admissível uma associação dita beneficente e com o sugestivo nome de Amigos do Bom Menino das Mercês repassar recursos de patrocínio cultural para a Fundação José Sarney? Especialmente sendo ambas ligadas à família?

 

É razoável que o primogênito, Fernando Sarney, seja simultaneamente secretário de Energia do Maranhão e dono de uma empresa fornecedora de postes de concreto para a mesma secretaria?

 

É verdade que Sarney é sócio da neta numa empresa (que tem sede na casa dele em Brasília) para comprar terras onde há indícios de gás e petróleo? O que há de causa e efeito entre a empresa, as terras e as nomeações de Sarney para o Minas e Energia e a Eletrobras?

 

É a serviço da oposição ou da mídia que a PF e a Receita estão fazendo essas devassas?

 

E o que dizer do estado de calamidade pública do Maranhão depois de meio século de domínio dos Sarney e de seus paus-mandados?

 

O promotor de Justiça Jorge Alberto de Oliveira Marum, de Sorocaba (SP), envia e-mail querendo entender a preocupação de Lula com umas biografias e não com outras: "Se o acusado é adversário do PT, podemos acusá-lo à vontade, como foi feito com Collor (1992), Ibsen Pinheiro, Eduardo Jorge, Yeda Crusius etc.

 

Se ele for aliado do PT, como Collor (2009), Renan, Sarney e outros, não devemos tratá-los como pessoas comuns. É isso mesmo, senhor presidente?".

Taí. Boa pergunta.

 

elianec@uol.com.br



Escrito por Cassiano às 18h59
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CLÓVIS ROSSI

 

Quatro Brics, um tijolo

 

SÃO PAULO - Parece estar ficando mais e mais claro que, dos quatro Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), aquele que os Estados Unidos tratam realmente como "brick" é a China (se tijolo pode ser tomado como sinônimo de solidez).

 

A partir de hoje, recomeça o Diálogo Econômico Estratégico entre altos funcionários dos dois países, lançado na administração Bush, para tratar de assuntos econômicos bilaterais. Mas Obama ampliou-o para incorporar uma agenda muito mais abrangente, o que inclui mudança climática, Coreia do Norte, Afeganistão e Paquistão.

 

O espírito G2 da coisa toda é bem explicado em artigo publicado domingo e assinado conjuntamente por Timothy Geithner e Hillary Clinton: "Poucos problemas globais podem ser resolvidos só pelos Estados Unidos e China, mas poucos podem ser resolvidos sem que Estados Unidos e China estejam juntos".

 

Para não dizer que os Estados Unidos estão pinçando apenas a China, é justo mencionar que, em recente visita à Índia, Hillary Clinton também desenhou uma parceria estratégica bastante ampla.

 

Esse balé diplomático interessa de perto, como é óbvio, ao B dos Brics, que vem a ser o Brasil. Obama e Lula já resolveram reativar reuniões setoriais entre ministros dos dois países, mas a pressa norte-americana parece voltada para a Ásia, o que é compreensível: na América Latina, os problemas estratégicos são menores (Honduras) ou inexistentes, ao contrário do que ocorre com, por exemplo, Paquistão, Coreia do Norte e Afeganistão.

 

Mas a questão da mudança climática é global, e China e Brasil (além de Índia) opuseram-se ao projeto do mundo rico de fixar metas para a redução da emissão de gases.

 

É preciso ver se a China consulta seus parceiros dos Brics nessa questão ou prefere o diálogo direto -enfim o G2 de que tanto se fala.

 

crossi@uol.com.br



Escrito por Cassiano às 18h58
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JOSÉ SIMÃO

 

Ueba! Lula lança Bolsa da Dilma!

 

Se o Lula gosta tanto do Sarney, por que não troca Bolsa Família por Bolsa da Família do Sarney!?

 

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!

 

Tá todo mundo louco. OBA! Festival de Piadas Prontas! Lançada Campanha Nacional de Combate ao Câncer de Pênis. Coordenada pelo doutor SÁLVIO PINTO! Do verbo salvar! Eu sálvio, tu sálvias e o doutor Sálvio Pinto! Do Brasil!

 

E esta: "Mortalidade de jovens no Brasil é causada em sua maioria por armas de fogo", anuncia pesquisador Ignácio CANO! Rarará! E esta: "Mulher pega gripe no Peru!". Então é traveca! Mulher com gripe no Peru só pode ser traveca.

 

Isso é lugar de pegar gripe? E uma amiga minha vai lançar uma coleção de máscaras chamada GRIFE SUÍNA! E viva perigosamente! Beije um argentino. Rarará. E sabe como gaúcho espirra?

 

ATCHÊ! Espirro de macho! E eu tenho saudades da gripe aviária. A gente sabia como pegava e como tratava. Pegava galinhando, e tratava tomando Cocoristina. E agora saiu a gripe Suiney. Que atacou o SUINADO! O SUINADO FEDERAL!

 

E o Sarney, hein? O Moribundo de Fogo! Todo mundo só quer falar do Sarney. Ele saiu de férias, mas os humoristas, não! E saiu uma nova dupla sertaneja: Sarney e Secreto. E agora tem até funk. O site Éramos Seis lançou o "Funk do Bigodão"!

 

Com o MC Sarney: "Ado, ado, ado, tô empregado no Senado". E a Lacraia cantando atrás: "Ada, ada, ada, vou jogar o bigode na privada". Rarará. Ô, esculhambação!

 

O Sarney quer a escritura do Maranhão! Aliás, essa crise no Senado só tem uma solução: privatizar a família Sarney! Rarará! E se o Lula gosta tanto do Sarney, por que ele não troca o Bolsa Família pela Bolsa da Família do Sarney!?

 

Aliás, quem gosta de bolsa é a Dilma, viu. Cada hora ela tá com uma bolsona nova e de grife. Vamos lançar o Bolsa da Dilma! E eu vi o vídeo da bispa Sônia pregando com a mulher do Kaká. Agora é o Kaká e a Kakasta!

 

E eu achei o botox da bispa Sônia muito derrubado. Deve ser de segunda mão! botox reciclado. Acho que ela tá usando o botox que foi da Ana Maria Braga. Rarará. E sabe o que elas falaram? Que vão pisar na cabeça do diabo. Medo! Do diabo e delas. Rarará!

 

E eu sempre digo que eu também quero renascer. Mais rico que elas. É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse o outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!

 

E atenção! Cartilha do Lula! O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. Hoje não tem. O Lula tá em férias escolares. Há 60 anos.

 

Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. E vai indo que eu não vou!

 

simao@uol.com.br



Escrito por Cassiano às 10h07
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FERREIRA GULLAR

 

Errar é comigo mesmo

 

Errar faz parte da descoberta e do acerto, se não for de propósito ou por negligência

 

NINGUÉM PODE dizer que eu não avisei. Na primeira crônica, aqui publicada no dia 2 de janeiro de 2005, afirmei, em alto e bom som, que esqueço tudo o que leio e tendo a inventar de minha cabeça o que os romances não contam e os ensaios não dizem.

 

Que crédito pode merecer um sujeito tão desligado que chega a mijar na lata de lixo pensando que é o vaso sanitário?

 

ra inevitável acontecer o que tem acontecido: cartas e cartas de leitores apontando os erros que cometo, informações erradas, dados equivocados. São tantos que já nem consigo lembrar, e não os lembraria ainda que fossem poucos, porque lembrar não é o meu forte.

 

Mas isso não é desculpa, a internet está aí mesmo para oferecer as informações que nos faltam. É verdade que também esses dados nem sempre são exatos, porque deve ter sido lá que colhi a informação de que a estrela mais próxima da Terra (fora o Sol) estaria a 25 anos-luz, quando está a apenas 4 anos-luz e pouco. E tem sempre aquele leitor chatinho que aproveita para nos dar um puxão de orelha. A minha, aliás, já está ardendo.

 

Diga-se a meu favor que, neste caso, as distâncias são tão grandes que tanto faz 25 como 4, uma vez que, de qualquer jeito, não chegaríamos a ela, porque, se meus cálculos estão corretos (estarão?), uma nave que voe a 9.000 quilômetros por hora levaria 4.000 anos para cobrir aquela distância; e, se voe a 90 mil, levaria quatro séculos. Ou seja, uma aventura inviável.

 

Mas, além dos erros cósmicos, cometo erros terrestres, terra a terra mesmo, como na crônica sobre o Bolsa Família, em que falei de casais que passaram a dobrar a filharada para aumentar a renda familiar. É certo que há na lei exigências que limitam certas espertezas, mas seria ingênuo crer que não são burladas.

 

Modéstia à parte, eu também às vezes escrevo certo por linhas tortas e, neste caso, o que menos importa são as exigências legais, dificilmente obedecidas, num programa social que envolve 40 milhões de pessoas.

 

Se no Congresso, que, pelo que sei, não foi criado para dar dinheiro a famílias carentes, os recursos públicos são distribuídos à tripa forra, imagine você o que não ocorre no Bolsa Família, que já foi criado para dar grana a quem não trabalha!

 

Esse, porém, é apenas um dos aspectos da questão: o que importa é entender que programas dessa natureza só podem ser mantidos em caráter emergencial, para atender a situações críticas, já que a verdadeira solução é inserir o cidadão no mercado de trabalho.

 

Não se pode transformar tais programas em assistencialismo permanente, com propósitos eleitoreiros e demagógicos. Foi isso que, com dados tortos, procurei demonstrar, donde a conclusão de que o Brasil precisa urgentemente de um estadista; isto é, de alguém que ponha o interesse público acima das ambições pessoais.

 

Como dizia no começo desta crônica, errar é comigo mesmo. Sucede, no entanto, que, para mim, errar faz parte da descoberta e do acerto, desde que não se erre de propósito ou por negligência. Às vezes, partimos de premissas corretas e, no caminho, nos extraviamos.

 

Já contei, faz muitos anos, o caso de uma estante que mandei fazer, ao me mudar para um apartamento novo, na Visconde de Pirajá, em Ipanema.

 

Pela primeira vez ia ter um escritório, onde escrever em silêncio, à sombra da estante, que faltava. Por isso a encomendei a um marceneiro português, seu Joaquim, que tinha oficina na Barão da Torre. Tudo acertado, ele me pediu o endereço de onde entregar a estante, que ficaria pronta em dez dias.

 

Só então me dei conta de que não o sabia, mas raciocinei: se o número do edifício onde mora Mário Pedrosa, que fica em frente, é número 228, o meu deve ser 227. "Meu endereço é Visconde de Pirajá, 227, apartamento 302", disse eu, e seu Joaquim o anotou.

 

Dez dias depois, ao voltar do jornal, constatei que a estante não tinha chegado e, àquela hora, oito da noite, a marcenaria já estava fechada. Na manhã seguinte, cedo fui tomar satisfações com seu Joaquim, que, ao me ver, foi logo falando: "Que diabo de endereço o senhor me deu, que os homens andaram com estante pra cima e pra baixo, sem achar o tal número?".

 

Tinha errado na dedução. Se não era 227, que número seria? "Qual é afinal esse maldito número?". Hesitei, mas respondi: "Desculpe, me enganei, é 217". O número certo era 127. Tive que voltar à marcenaria para, às gargalhadas, fazer a correção. Seu Joaquim, porém, não achou a menor graça nas minhas trapalhadas.



Escrito por Cassiano às 10h07
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DANUZA LEÃO

 

A distância ajuda

 

Nunca entre em nenhum bastidor de nada, para poder continuar acreditando no que vê

 

COMO são bonitas as coisas vistas à distancia, e como perdem o encanto quando vistas de perto. Você já entrou num restaurante de luxo às 8h da manhã? Aquele lugar onde você vai toda linda tomar seu drinque, comer bem e até fazer um certo charme, de manhã é outro mundo, com cadeiras amontoadas em cima das mesas, a cozinha numa total desordem, às vezes até suja, e os empregados - a turma da manhã não faz rapapés, como os outros- esfregando o chão, passando álcool nos copos, e as latas de lixo cheias de flores murchas; uma deprê, eu diria.

 

Isso não acontece só com lugares, mas também com pessoas. Você acha lindo aquele intelectual charmoso, de camisa jeans, mocassim sem meias e olheiras imensas de tanto pensar nos mistérios da vida e na essência do ser humano.

 

Só que as razões de seu olhar tão denso podem ser outras: ele pode estar pensando no cheque especial estourado, no carro que está precisando ser trocado e na conta do cartão de crédito que deve vir altíssima, pois sempre pagou sem nem olhar, faz parte do personagem. E você, que imaginou razões mais românticas para tanta profundidade, quebrou a cara.

 

E depois de ter sido tanto tempo apaixonada por Sinatra, e ainda ser -o que é a morte, diante do amor?-, ler numa revista que ele usava uma peruquinha, é uma tristeza. Você sabia, como todo mundo, desse aplique, chamemos assim, mas não queria saber, porque quem ama não quer saber de nada, a não ser se for obrigada.

 

E como seria Sinatra em casa? Passaria os dias cantarolando "My Way" e "Strangers in the Night", como você, em seus delírios, imaginava, ou era alguém meio ranzinza (me recuso a chamá-lo de velho), que reclamava da comida e passava os dias de pijama e robe, a léguas de distância do cantor de olhos azuis que fez seu coração bater tanto?

 

Se morasse com ele, não haveria lugar para a ilusão, e sem ela a vida fica bem sem graça. Quem já entrou em um estúdio de TV ou de cinema e assistiu a uma gravação ou filmagem se horrorizou ao ver o que acontece por trás das câmeras, e talvez nunca mais assista a uma novela ou, pior ainda, a um filme.

 

É aquele mundo de gente correndo, falando alto, o diretor tentando botar ordem na bagunça, e os cenários -ah, os cenários!- feitos de compensado e papelão, as flores de plástico, as atrizes com o roteiro na mão lendo alto suas falas, tudo de mentira, mentira na qual você e a humanidade sempre acreditaram. Nunca entre em nenhum bastidor de nada, para poder continuar acreditando no que vê. E aquele escritor que você adora?

 

Você, que nunca perdeu seus lançamentos, ficou na fila para pegar um autógrafo, e não perde um só dos artigos que ele às vezes escreve nos jornais, ficaria decepcionada se o visse diante do computador, dizendo "ah, estou sem assunto", ou "estão faltando 20 linhas e não sei como vou terminar".

 

Seria uma decepção. Ou nos atiramos de cabeça para o que der e vier, e é assim que, dizem, se deve viver, ou guardamos uma certa distância das coisas e, sobretudo das pessoas, para poder continuar preservando alguma ilusão diante da vida, Mas será por aí? E será que vale a pena?

 

danuza.leao@uol.com.br



Escrito por Cassiano às 10h06
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ELIANE CANTANHÊDE

 

Fim da convergência

 

BRASÍLIA - O golpe militar em Honduras mobilizou a comunidade internacional de "a" a "z" no apoio ao presidente eleito Manuel Zelaya e na condenação ao regime golpista de Roberto Michelletti. A volta de Zelaya ao país e mesmo ao poder, porém, não resolve a crise interna. Muito pelo contrário.

 

Dos EUA à Venezuela, passando pelo Brasil, os países integrantes da OEA (Organização dos Estados Americanos) se bateram firmemente por um princípio: o do respeito às normas democráticas e aos presidentes constitucionalmente eleitos. O apoio, porém, para aí.

 

Apoiar um princípio não é apoiar uma pessoa, nem um governo.

 

Por isso, toda a convergência que Zelaya conseguiu com o golpe tende a virar divergência no pós-golpe, mesmo com a volta dele ao poder. Por quê?

 

Porque o impulso de Zelaya será pela radicalização e pelo aprofundamento do "bolivarianismo" em Honduras, com revisão constitucional, plebiscito para se eternizar no poder, nacionalização de setores da pobre economia.

 

Assim, tenderá a ir mais e mais na direção de Venezuela, Cuba, Bolívia e Nicarágua, sob a órbita da Alba (a alternativa chavista à natimorta Alca). E menos e menos na do velho parceiro e até tutor, os EUA.

 

Além disso, o olhar que hoje é exclusivamente externo, contra um golpe estapafúrdio, irá se voltar para a situação interna, para a acomodação de forças e de interesses no país.

 

Creia você: a comunidade internacional toda apoiou Zelaya, mas ele sofre enormes resistências de setores hondurenhos que têm força política, como a Suprema Corte, a Igreja Católica, a mídia e a parte mais pesada do empresariado. Convenhamos, não é pouco.

 

O primeiro passo da crise é recompor o poder constituído, com a volta de Zelaya ao poder. O segundo é recompor os financiamentos e parcerias internacionais que hoje boicotam o país dos golpistas. Mas isso não resolve a crise. Os opositores internos não vão morrer. E os externos vão ressuscitar.

 

elianec@uol.com.br



Escrito por Cassiano às 10h05
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PARA SEMPRE ALICE

“Meus ontens estão desaparecendo e meus amanhãs são incertos,  então, para que eu vivo? vivo para cada dia. vivo o presente. num amanhã próximo, esquecerei que estive aqui diante de vocês e que fiz este discurso.

 

Mas o simples fato de eu vir a esquecê-lo num amanhã qualquer não significa que hoje eu não tenha vivido cada segundo dele. Esquecerei o hoje, mas isso não significa que o hoje não tem importância”.

 

 Alice sempre foi uma mulher de certezas. Professora e pesquisadora bem-sucedida, ela sempre se destacou em sua área de atuação e sempre participou com distinção de debates e conferências. Não havia referência bibliográfica que não guardasse de cor.

 

Alice sempre acreditou na formação acadêmica como o melhor caminho para o sucesso profissional. e tentou convencer sua filha caçula, Lydia,   a seguir o exemplo de seus irmãos e a abandorar o sonho de ser atriz. Alice sempre foi, antes de tudo, uma mulher racional. Sempre gostou de planejar a vida nos seus mínimos detalhes. Sempre acreditou que poderia estar no controle.

 

Mas sabemos nada é para sempre. Talvez só aquilo que fizermos de bom e gracioso para alguém, para ele seja para sempre?

 

Perto de completar cinquenta anos, Alice Howland começa a esquecer. No início coisas sem importância, como o lugar em que deixou o  carregador de seu celular, até que,  durante uma corrida, ela se perde a caminho de casa. Sintomas de estresse, provavelrnerte.

 

E provavelmente também a menopausa se aproximando. Nada que um bom médíco e o medicamento mais moderno e eficaz não dessem jeito. Mas não é isso o que acontece. Ironicamente, a professora de memória mais afiada em Harvard é diagnosticada, precocemente, com o mal de Alzheirner, uma doença degenerativa incurável.

 

Daqui para frente haverá poucas certezas para Alice. Ela terá que reinventar, a cada dia, a própria vida, terá que abandonar o controle de tudo, terá que aprender a se deixar cuidar, terá que conviver com a única certeza que parece lhe restar: a de que ela não será a mesma pessoa daqui a um mês.

 

Neste emocionante romance de Lisa Genova, a personagem Alice não vai triunfar sobre a doença que está tomando conta de seu corpo, mas, tentando aprender a lidar com suas incapacidades, vai observar a si própria, sua história, seu marido, seus filhos, o mundo à sua volta de uma forma diferente. Agora, um sorriso, o tom da voz, o toque das mãos, a calma que a presença de alguém lhe traz podem lhe devolver a lembrança do que aquela pessoa significa mesmo que por instantes, e ainda que não saiba seu nome.

 

O que conta para Alice agora é o presente, o que conta agora são os momentos de plenitude e de felicidade. Momentos com certeza esquecíveis. Mas não importa. Por trás de toda a devastação provocada pela doença, parece que ainda há um lugar onde Alice continua a ser Alice.

 

Alice Howland sempre foi uma mulher de certezas. Talvez hoje sua única certeza seja a de que, de alguma forma e apesar de tudo, Alice é para sempre.



Escrito por Cassiano às 09h45
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Histórico
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